quinta-feira, 24 de maio de 2018

Rio, 1968: de volta ao cenário dos "indecisos cordões'...

A Fatos & Fotos cobriu com numerosa equipe as passeatas de 1968, que renderam até edições especiais. (*)


Um dos focos dos protestos no fim de junho de 1968 visou a Embaixada americana. Nesse local, duas estudantes foram baleadas. Os fotógrafos que tentaram registrar a cena foram ameaçados por agentes de arma na mão A esquerda, de camisa branca, o fotógrafo Pedro Moraes.  Reprodução Fatos & Fotos n° 387

O mesmo ponto, o mesmo ângulo, em 2018. Foto J.E.Gonçalves

Em 4 de abril, foi celebrada na Candelária missa em homenagem ao estudante Edson Luís, assassinado
pela polícia seis dias antes. A cavalaria da PM cercou e atacou a multidão que deixava a igreja.
Reprodução Fatos & Fotos n°376

A Candelária em 2018: apenas abrigo para uma tarde calorenta. Foto de J.E.Gonçalves

Antes do cortejo que levou o corpo de Edson Luis ao cemitério São João Batista, o povo cantou o
Hino Nacional na escadaria da atual Câmara dos Vereadores, então Assembléia. Legislativa do Estado
da Guanabara. Reprodução Fatos & Fotos n° 375

O mesmo local em um dia comum. Foto de J.E.Gonçalves

O campus da UFRJ na Avenida Pasteur era um constante alvo da repressão.O confronto acima começou após um assembleia na Faculdade de Economia. Centenas de estudantes foram detidos ao tentar furar o bloqueio da PM. Reprodução Fatos & Fotos n° 387.

O velho portão como testemunha. Foto J. E.Gonçalves

Restos da batalha na Rio Branco. Reprodução Fatos & Fotos n° 387

O mesmo front hoje irreconhecível. Foto J.E.Gonçalves

por José Esmeraldo Gonçalves

Não é preciso embarcar na máquina do tempo de H.G.Wells. Basta entrar no VLT e pedir para saltar em 1968.

Naquele ano, o Rio de Janeiro, especialmente o Centro da cidade e a Avenida Pasteur, local de várias unidades da UFRJ, eram palco da revolta dos estudantes e de violentos confrontos com tropas do Exército e da Polícia Militar do então Estado da Guanabara.

Entre março e junho, a Fatos & Fotos dedicou sucessivas edições às passeatas, com centenas de fotos. Os estudantes adotavam táticas inspiradas na guerrilha e surpreendiam a repressão ao alternar focos de protesto nas ruas México, Uruguaiana, Presidente Vargas, São José, Largo de São Francisco, Cinelândia e e Rio Branco. A estratégia permitia que líderes universitários e secundaristas fizessem rápidos comícios antes da chegada do batalhão de Choque.

O antigo front carioca não foi exatamente preservado como os santuários da Primeira Guerra, na Europa, nem é citado em guias de turismo. Não há placas de bronze ou chamas eternas, mas várias dessas esquinas registraram seus feridos e mortos.

Em uma tarde de uma segunda-feira deste maio de 2018, o campo de batalha visto em celular parecia calmo se confrontado com as imagens dramáticas da Fatos & Fotos.

Nem sinal dos "indecisos cordões" citados na canção de Geraldo Vandré.

(*) A Fatos & Fotos não deu crédito individual aos repórteres e fotógrafos que cobriram as manifestações para as três edições focalizadas acima.  Eram relacionados com "equipe". Registro aqui os nomes dos profissionais escalados para a árdua missão nas ruas e esquinas do Rio em 1968. 
Repórteres: Helena Beltrão, Carlos Castilho e Edson Cabral, 
Fotógrafos:  Juvenil de Souza, Nicolau Drei, José Martins, Jorge Aguiar, Armando Rosário, Milton Carvalho, Antonio Trindade, Gervásio Baptista, Nelson Santos, Vieira de Queirós, Moacir Gomes,  AJB e Correio da Manhã. 

A realidade e a ficção...

Na Esplanada: caminhoneiros em greve. Desde julho do ano passado,
a gasolina subiu 50,4% e o diesel 52,15%. Foto de Antonio Cruz/Agência Brasil



No Palácio do Planalto, os gênios autores do apagão dos combustíveis divagam sobre a crise.
Foto de Marcos Correa/PR

Ela não é do lar: Michelle Obama divulga a capa do seu livro de memórias


Redes sociais dão o recado - Apagão de combustíveis, racionamento nos supermercados... Temer é clone de Sarney?




O outro lado - A mídia neoliberal não contou para você? - Engenheiros da Petrobras revelam como o governo Temer construiu a greve dos caminhoneiros

Associação dos Engenheiros da Petrobras 
Nota sobre a política de preços da Petrobras
(publicada ontem do site oficial da AEPET)

A AEPET reafirma o que foi expresso no Editorial "Política de preços de Temer e Parente é 'America First!' ", de dezembro de 2017.

 A Petrobrás adotou nova política de preços dos combustíveis, desde outubro de 2016, a partir de então foram praticados preços mais altos que viabilizaram a importação por concorrentes. A estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada. A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil.

Ganharam os produtores norte-americanos, os “traders” multinacionais, os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil. Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobrás, a União e os estados federados com os impactos recessivos e na arrecadação. Batizamos essa política de “America first! ”, “Os Estados Unidos primeiro!”.

Diante da greve dos caminhoneiros assistimos, lemos e ouvimos, repetidamente na “grande mídia”, a falácia de que a mudança da política de preços da Petrobrás ameaçaria sua capacidade empresarial. Esclarecemos à sociedade que a mudança na política de preços, com a redução dos preços no mercado interno, tem o potencial de melhorar o desempenho corporativo, ou de ser neutra, caso a redução dos preços nas refinarias seja significativa, na medida em que a Petrobrás pode recuperar o mercado entregue aos concorrentes por meio da atual política de preços. Além da recuperação do mercado perdido, o tamanho do mercado tende a se expandir porque a demanda se aquece com preços mais baixos.

A atual direção da Petrobrás divulgou que foram realizados ajustes na política de preços com o objetivo de recuperar mercado, mas até aqui não foram efetivos. A própria companhia reconhece nos seus balanços trimestrais o prejuízo na geração de caixa decorrente da política adotada.

Outra falácia repetida 24 horas por dia diz respeito a suposta “quebra da Petrobrás” em consequência dos subsídios concedidos entre 2011 e 2014. A verdade é que a geração de caixa da companhia neste período foi pujante, sempre superior aos US$ 25 bilhões, e compatível ao desempenho empresarial histórico.

Geração operacional de caixa, US$ bilhões
2011      2012      2013      2014      2015      2016      2017
33,03     27,04     26,03     26,60     25,90     26,10     27,11

A Petrobrás é uma empresa estatal e existe para contribuir com o desenvolvimento do país e para abastecer nosso mercado aos menores custos possíveis. A maioria da população quer que a Petrobrás atue em favor dos seus legítimos interesses, enquanto especuladores do mercado querem maximizar seus lucros de curto prazo.

Nossa Associação se solidariza aos consumidores brasileiros e afirma que é perfeitamente compatível ter a Petrobrás forte, a serviço do Brasil e preços dos combustíveis mais baixos e condizentes com a capacidade de compra dos brasileiros.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Memórias da redação: Bloch veta João Saldanha na capa da Fatos & Fotos e Alberto Dines pede demissão (1932-2018)

por Roberto Muggiati (*)

Quando o presidente Médici quis interferir na escalação do selecionado para a Copa de 70, o técnico João Saldanha renunciou. Esse foi também o momento de uma das crises folclóricas de Fatos&Fotos.

A rotina da revista, já mencionei, era totalmente esquizóide. De manhã, Alberto Dines, “padrinho” de F&F e marido de Rosaly, sobrinha do Adolpho, fazia uma reunião com a redação e definia a pauta. Seguia depois para o Jornal do Brasil, onde era o editor todo-poderoso (é bom lembrar que, na época, o JB tinha muito mais prestígio do que O Globo.) À tarde, os sobrinhos ociosos que o Adolpho não deixava pastarem na Manchete iam brincar no quintal da Fatos&Fotos. E derrubavam toda a pauta do Dines.

Imaginem a dificuldade do editor, obrigado a fazer uma revista por semana, para conciliar todos estes egos em choque. A crise culminou quando Dines decidiu que a capa daquela semana seria João Saldanha, que deixara o cargo de técnico da seleção. No momento de escolher a capa — com Dines na Avenida Brasil, enfrentando a guerra diária do JB — os caciques da Bloch preferiram publicar na capa de Fatos&Fotos uma foto de Paulo José e Dina Sfat, registrando a vitória do filme Macunaíma no Festival de Cinema de Mar del Plata. Comuniquei imediatamente a Dines por telex a decisão dos Karamablochs. Dines, que já estava em rota de colisão jornalística e conjugal com a família, detonou curto e grosso em outra mensagem de telex: “Já que não aceitam minha opinião editorial, vou fazer como o nosso bom Saldanha e tirar meu time de campo.”

Foi assim que Alberto Dines nunca mais voltou a pisar no sacrossanto território da Praia do Russell.

(*) Reprodução de um trecho de uma matéria que Roberto Muggiati publicou neste blog em 6 de março de 2012.

Alberto Dines: o jornalista que fez diferença

Alberto Dines/ Foto: Reprodução EBC/TV Brasil

O Observatório da Imprensa está preparando uma edição especial sobre Alberto Dines.

Sua vida e legado jornalístico não caberiam nas poucas linhas da nota em que o instituto anunciou a morte do jornalista nesta manhã, aos 86 anos, no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Dines deixa marcas profundas no jornalismo brasileiro. Seu nome está ligado à evolução e ao aperfeiçoamento da mídia, à ética, à liberdade de imprensa e às referências de várias gerações de profissionais da imprensa. Nas últimas décadas, foi o teórico, sem nunca se afastar da prática, que questionou os rumos do jornalismo.

A prometida edição especial do Observatório da Imprensa certamente contará aos jovens jornalistas que enfrentam atualmente os desafios dos novos modelos e plataformas a trajetória de Dines e suas valiosas lições.




Aqui, registramos dois momentos que ficaram na memória dos tempos difíceis, quando a censura nada virtual era a "ferramenta" que atormentava editores e repórteres. Tentar um drible nos coronéis que ficavam de sentinela nas redações era uma obrigação. Esse jogo gerou pelo menos duas inesquecíveis primeiras páginas do Jornal do Brasil editadas por Alberto Dines.  Uma, quando a  ditadura lançou o AI-5, em 1968, e o recado possível foi dado no quadradinho da previsão do tempo no alto da página. Outra, ao noticiar a queda e morte de Salvador Allende, em 1973. O JB recebera ordem expressa para não publicar foto do sangrento golpe no Chile. E a opção por dar a capa sem foto, com texto em destaque, sem título, obteve maior impacto dramático, exatamente o que os coronéis queriam evitar. Os censores saíram da história pela porta dos fundo, aquela primeira página ficou".

DINES NA MANCHETE E NA FATOS & FOTOS

Alberto Dines chegou à Manchete em 1957 como subeditor e secretário de redação. Não demorou muito foi para o Última Hora, mas já em fins de 1960 voltou à Bloch para dirigir a nova revista semanal da editora de Adolpho Bloch, a Fatos & Fotos.

No livro Maysa, o escritor Lira Neto dedica algumas linhas a uma capa da Manchete editada por Dines.



Em maio de 1957, pela primeira vez Maysa era capa de revista. O então assistente de redação da Manchete, Alberto Dines, encantou-se com os olhos da cantora, captado pelas lentes do fotógrafo Gervásio Batista. Dines não teve dúvidas: rompeu com a tradição dos planos americanos das capas da publicação e estampou um close de Maysa. Resultado: levou um sabão do dono da editora, Adolfo Bloch, que achou um exagero dar tamanho destaque a uma cantora em início de carreira. Mas a capa revelou-se profética. Dali a menos de um ano, Maysa já seria uma das cantoras mais famosas - e mais controvertidas - do país".

domingo, 20 de maio de 2018

Esquece! Nem 007 daria conta da missão de apagar antigas fotos de Meghan Markle na internet...

por Ed Sá 

O casamento de Harry e Meghan foi cheio de simbolismos. Atriz, divorciada, ativista, filha de mãe negra e pai branco, ela não tem escândalos do currículo - como vários dos Windsor -, mas guarda naturalmente um passado não protocolar que a realeza até tentou repaginar.

A mídia noticiou que uma força tarefa foi encarregada de revisar imagens da carismática noiva nas redes sociais.



Meghan Markle no papel de Rachel Zane em Suits,
onde contracenou com o ator Patrick Adams. A foto de divulgação
foi republicada recentemente pelo britânico Mail on Line, que afirmou esperar que
a família real tivesse visto essa imagem. O que o jornal quis dizer com isso? Sabe-se lá...

Missão quase impossível. Entre 2005 e 2016, Meghan Markle fez sete filmes e dezenas de participações em séries de TV. Como qualquer atriz, atuou em cenas quentes. A web registou e, nos últimos meses, tais fotos foram compartilhadas milhões de vezes. Ela, pela postura independente que demonstra, não parece estar nem aí pra isso.

Há alguns anos, uma revista francesa publicou fotos de Kate Middleton de topless. O Palácio de Buckingham processou a publicação que foi obrigada a pagar uma alta indenização. Mas nem por isso as fotos sumiram da internet. Trump ameaçou o jornal que publicou antigas fotos de Melania Trump nua, o que só chamou mais atenção sobre o ensaio da ex-modelo. Nem os bilhões de dólares de Onassis impediram que a nudez de Jackie Onassis na ilha de Skorpios se espalhassem pelo mundo. E a internet nem existia.

Esse tipo de revisionismo fotográfico não é apenas coisa da família real, a não ser que se consideremos "reis" dois ídolos brasileiros; Pelé e Roberto Carlos. Contavam os corredores da velha Bloch que, nos idos do anos 1980, a direção da editora entregou gentilmente aos dois centenas de fotos originais das suas então mulheres, respectivamente, as modelos Xuxa e Miriam Rios. Queriam garantir que os vários ensaios que elas fizeram para a revista masculina EleEla não mais fossem publicados. De fato, não foram. Na mídia impressa. Mas o zelo dos então maridos não impediu que a internet e a digitalização resgatassem a beleza das suas ex.

Bobagem, o que acontece na internet, fica na internet.

sábado, 19 de maio de 2018

Copa do Mundo 2018: ao contrário da Copa passada, seleção brasileira não vai mais morar na psicologia...

por Niko Bolontrin 

A Folha de São Paulo publica hoje um texto de Eduardo Geraque sobre a relação - que ele define como conturbada - entre a psicologia e a seleção brasileira.

Recorrer a psicólogos para avaliar e ajustar cabeças de boleiros foi prática que começou em 1958. O Brasil vinha de um derrota traumática, a de 1950, e de uma participação sofrível na Copa de 1954, quando a seleção foi desclassificada nas quartas de final. Ainda nos treinamentos, o psicólogo João Carvalhaes reprovou Garrincha em um teste psicológico. O "conflito" começou aí. Felizmente, a comissão técnica que via Mané em grande forma, fazendo chover no Botafogo, não deu bola para o diagnóstico. Em 1962, Copa do Chile, de onde o Brasil trouxe o bi, a psicologia não entrou em campo. Aparentemente, não há registro de motivadores psicológicos no tri, no tetra e no penta. Devem ter achado melhor deixar como estavam as cucas de Pelé, Tostão, Rivelino, Jairzinho, Romário, Bebeto, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, etc.

Em 1998, vai ver fez falta. Na crise do Ronaldo Fenômeno talvez ele e toda a comissão técnica precisassem de ajuda no vestiário do Stade de France. Ninguém escapou daquele vexame.

Em 2014, a psicóloga Regina Brandão foi convidada a monitorar cabeças na Granja Comary.
Se os seus métodos foram ou não eficientes não nos cabe dizer, mas aquele seleção deve ter sido a mais chorona que já representou o Brasil. Lágrimas de esguicho, como diria Nélson Rodrigues já rolavam antes mesmo do desastre do 7X1 contra a Alemanha. Talvez fossem um prenúncio do colapso. 

Escaldado, Tite não vai levar psicólogo nem divã para a Rússia. Para ele, segundo a Folha, "a Copa do Mundo é curta e não há tempo hábil para um trabalho mais profundo".

Os jogadores vão se concentrar em outra esfera: a bola

Pensa que a vida está fácil? Mônica e Cebolinha são "estatizados" e viram garotos-propaganda do governo

Pesquisa CNT/MDA divulgada na semana passada mostrou que a Justiça está sendo levada em condução coercitiva para a impopularidade. Nada menos do 89,3% não confiam na atuação do Poder Judiciário e e 90,3% afirmam que a "dama vendada", que nada tem de cega, não trata todos de maneira igual. A percepção da população faz sentido e vai muito além da Lava Jato e sua intensa divulgação pela mídia. Trata-se da realidade das prisões abarrotadas de detentos sem julgamento, de outras centenas que têm seus processos parados e muitas vezes já deviam estar soltos, da impunidades, da influência daqueles que podem contratar bancas milionárias de advogados e até de bandidos violentos que mesmo quando condenados passam pouco tempo na cadeia, são liberados e voltam a chefiar organizações criminosas, sem falar nos privilégios do tipo auxílio-moradia, paletó, transporte, educação, saúde etc. O povo vê tudo isso, mesmo que a grande mídia nem sempre mostre.

Para tentar tirar a imagem do atoleiro, o Poder Judiciário recorre a Mônica e Cebolinha. A presidente do STF encomendou ao empresário Mauricio de Souza 400 mil exemplares de um revista em quadrinhos onde Mônica, Cebolinha e turma mostram como funciona a corte suprema.

Na mesma pesquisa, as Forças Armadas são bem avaliadas pelos brasileiros, têm credibilidade. A preocupação dos militares é outra: valorizar a indústria da Defesa.

A crise e a Lava Jato, que enquadrou verbas e empresas, praticamente travaram projetos importantes. Daí, a solução encontrada pelos marqueteiros foi recorrer a Mônica e Cebolinha. Almanaque da turma de Maurício de Souza, com tiragem de 200 mil exemplares,focaliza a indústria da Defesa e o papel das Forças Armadas.

Se essa ofensiva de marketing vai funcionar, só futuras pesquisas de imagem dirão.

Por enquanto, como se vê nas capas, Mônica e Cebolinha estão sorrindo à toa.


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Foi armação! Michel Platini confessa que manipulou sorteio dos grupos na Copa de 1998.

A Copa de 1998, a da França, já entrou para a história da seleção brasileira como uma das mais controversas. A mídia esportiva jamais conseguiu explicar claramente tudo o que aconteceu na concentração poucas horas antes da final e no vestiário do Stade de France, a minutos da bola rolar.

Talvez só Arséne Lupin, do escritor Maurice Leblanc, fosse capaz de desvendar o mistério.

O choro e a convulsão de Ronaldo, os relatos dramáticos do seus companheiros de quarto, o atendimento de urgência em hospital, sistema de som do estádio anunciando a escalação de Edmundo, os jogadores que não aparecem em campo para o aquecimento, Ronaldo surpreendentemente confirmado e, finalmente, a apatia do camisa 9 e o apagão do time em campo.

Claro que Zidane & Cia jogaram muito naquele 12 de julho, mas o jornalista italiano Stefano Barbetta definiu a postura de Ronaldo em campo como a de um "ectoplasma ambulante" e escreveu no livro "La Biblia dei Mondiale" que patrocinadores da seleção o constrangeram a jogar. Barbetta ainda registra o que chamou de "alheamento" dos demais jogadores brasileiros, preocupados com as condições de Ronaldo.

Pois 20 anos depois a Copa do "mistério" acaba de ganhar mais uma controvérsia. O ex-jogador Michel Platini, que era co-presidente do Comitê Organizador da Copa de 1998, confessou hoje que manipulou o sorteio dos grupos para impedir que a França cruzasse com o Brasil antes da final. "Quando organizamos o calendário, fizemos um pequeno truque", disse. A notícia está no Diário de Notícias, de Lisboa.

Platini não detalha o método usado para falsificar o sorteio. Uma pista: em 2016, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter deu uma entrevista ao "La Nacion", da Argentina, confirmando o uso bolas quentes e frias em sorteios de competições de futebol. Não convenceu quando afirmou que na Fifa isso não acontecia, mas revelou a jogada. "As bolinhas são colocadas antes na geladeira. A mera comparação entre umas e outras com o toque determina as bolas frias e quentes. Quando tocamos, sabemos o que é".

Com a manipulação de Platini, a França acabou campeã - mereceu, apesar da ajuda. Pena que o Brasil foi à final para ganhar a "taça" do vexame. Melhor seria ter sido eliminado com dignidade uma semana antes, quando ficou no 1x1 contra a Holanda e foi salvo na decisão por pênaltis.

O Brasil é penta, vai tentar o hexa, mas é tri em vexames em Copas: o maracanazzo de 1950, a desastrada escalação de um jogador que praticamente saiu da emergência de um hospital para calçar as chuteiras, em 1998, e o time-zumbi massacrado pela Alemanha no pastelão do 7X1 de 2014.

Que a Rússia poupe a seleção de Tite dos "dribles da vaca" da história... 


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Viu isso? Curso gratuito sobre análise de dados na cobertura das eleições


(Conteúdo transcrito do Knight Center)

Mais de 140 milhões de brasileiros vão às urnas este ano eleger seus representantes. Jornalistas que souberem analisar dados dos candidatos e dos resultados dos pleitos, pesquisas de intenção de votos e enxergar o que desperta o interesse do eleitorado vão sair na frente na cobertura. Para ajudar neste desafio, o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), em parceria com a Google News Initiative, lançam o curso online gratuito "Como cobrir eleições sem errar: dados e pesquisas para entender o eleitor".

O curso reunirá grandes especialistas no tema, sob a coordenação de José Roberto de Toledo, editor da revista Piauí que leva no currículo a cobertura das últimas 17 eleições. Além dele, os alunos contarão com a experiência de Keila Guimarães, editora de dados do Google News Lab, Cláudio Weber Abramo, co-fundador da Dados.org e ex-diretor-executivo da Transparência Brasil, e Daniel Bramatti, presidente da Abraji e editor do Estadão Dados.

VEJA MAIS, CLIQUE AQUI

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Copa do Mundo 2018 - Federação argentina ensina como pegar russas. Manual também instrui jornalistas a "molhar a minhoca"... Os hermanos pisaram na bola



por Niko Bolontrin

Garrincha não falava um só palavra em sueco e mesmo assim pulou o muro da concentração e descolou uma loura escandinava. Deixou até um filho no terreiro dos vikings.

Eram outros tempos, de dominação machista.


A seleção de Messi ainda não está escalada mas já sabe como se dar bem com a mulherada graças a um manual para evitar problemas de comunicação na Rússia.


A Federação Argentina de Futebol esqueceu que o tempo passou - mais exatamente  60 anos desde as peripécias do Mané - e incluiu no seu manual para a Copa da Rússia, "consejos para seducir a mujeres rusas".

O tutorial da pegação é destinado a dirigentes, jornalistas, comissão técnica e jogadores. “Qué hacer para tener alguna oportunidad con una chica rusa”, é um dos tópicos do livrinho. As russas são lindas, informam os cartolas hermanos, mas devem ser abordadas com cuidado, já que a maioria reclama que os homens logo querem levá-las para a cama.

Não se sabe se a AFA, a CBF da Argentina, mandou emissários á Rússia para investigar o comportamento feminino local e pesquisar as melhores estratégias.

A manual da azaração pegou mal e repercute internacionalmente.

A AFA diz que o trecho foi impresso "por equívoco". A culpa foi de um estagiário tarado.

Goleiro é flagrado no Whatsapp... Era campanha do Uber

 Foto do goleiro Santos, do Atlético Paranaense, conferindo  o celular em campo no jogo contra o Atlético Mineiro, onde sua equipe perdeu por 2x1, repercutiu nas redes sociais. Alguns comentários: "ele esqueceu de dar boa tarde no grupo da família"; "tá mandando mensagem pro juiz". Na verdade, Santos participava de uma campanha do Uber destinada a conscientizar a população sobre os perigos de se usar celular no trânsito.

...e Tom Wolfe não se perdeu na Avenida Brasil, onde a Favela da Maré não é o Bronx

Na célebre capa branca da Time
em novembro de 1998
O escritor e jornalista Tom Wolfe veio ao Rio em 2005, como convidado da Bienal do Livro. Hospedou-se no Copacabana Palace.  Durante uma entrevista coletiva concorrida - até a Caras estava lá -, fizeram-lhe a pergunta inevitável sobre o jornalismo literário.

Wolfe, um dos papas do New Journalism, talvez estivesse cansado do tema e logo desmistificou o gênero: "Já nasceu morto. Qualquer coisa dita como nova logo sai de moda", disse.

Antes de provocado sobre outra questão, acrescentou: "Hoje, sobrevive apenas nos livros. A (revista) Rolling Stone, que ainda faz experimentos, é a única exceção".

Os repórteres mudaram de assunto, alguém perguntou o que faria no Rio. De terno branco, seu figurino sulista tradicional, o escritor comentou que iria ao bondinho do Pão de Açúcar e que gostaria de conhecer uma casa de samba. Boa escolha. Uma rota turística e segura. Nada que o tirasse do caminho e o levasse a um drama urbano como o do personagem de A Fogueira das Vaidades. Lembrando que no livro que virou filme, com Tom Hanks no papel principal, o executivo de Wall Street Sherman McCoy pega uma saída errada da autoestrada e, em vez de ir para Manhattan, vai parar no violento e empobrecido Bronx. Um simples erro que muda a vida do milionário.

Ainda na entrevista, Tom Wolfe mostrou-se curioso em conhecer aspectos - ele chamou de "status" - da desigualdade social tão evidente no Brasil. Ainda bem que não saiu dirigindo por aí. Alguém deve ter alertado o escritor sobre o Rio que não é o Bronx. Aqui, se Sheman McCoy errasse o caminho e entrasse em uma favela morreria na primeira página da Fogueira das Vaidades.

Tom Wolfe não se perdeu na Avenida Brasil, sobreviveu ao Rio e morreu ontem, aos 88 anos, em Manhattan.

terça-feira, 15 de maio de 2018

A paz impossível...


O NewYork Times publica hoje um vídeo que reúne imagens de dois acontecimentos separados por pouco mais de 60km.

Menos pela distância geográfica e muito mais pelo afastamento político o clipe resume a impossibilidade da paz na região.

Líderes dos dois lados que em algum momento da História chegaram perto do sonho da convivência entre dois povos ficaram no passado.

O mapa do caminho da paz, também.

Veja o vídeo https://www.nytimes.com/2018/05/14/world/middleeast/israel-gaza-jerusalem-embassy.html?hp&action=click&pgtype=Homepage&clickSource=story-heading&module=a-lede-package-region&region=top-news&WT.nav=top-news

Governo admite: "Brasil voltou 20 anos em 2"

Foto Lula Marques
por O.V.Pochê 

Vamos combinar que Temer não precisa de ajuda pra dar mancada. O homem já chamou de "rei da Suécia", o monarca da Dinamarca, por aí se avalie o índice de vacilos.

Ontem, ao homenagear o cineasta Roberto Farias, o "presidente" ilegítimo resolveu citar como um dos grandes filmes do cineasta falecido "Toda Nudez Será Castigada". Não é. O filme que ele deve ter visto no cineminha do Porto de Santos é de Arnaldo Jabor, que está vivo embora não pareça, pelo que escreve.

Temer e mais meia dúzia de amigos resolveram comemorar os dois anos de gestão do estadista do Tietê. O marqueteiro Elsinho Mouco (seu repentista de frases há 15 anos e que é capa da Época dessa semana. A revista o chama de Grilo Falante de Temer) criou o slogan "O Brasil voltou, 20 anos em 2".

Mais coerente com a situação, quem lê deixa pra lá a vírgula tresloucada. Claro. "O Brasil voltou 20 anos em 2".

Sem querer, o Mouco criou a maior verdade da sua vida.  Um estagiário ou um entregador de mala no Planalto, de passagem, deve ter notado a falha e a cúpula do governo, os que ainda estão soltos, evidentemente, se reuniu às pressas na "sala de crise" para resolver a questão. 

Depois de uma reunião mais demorada do que a de Churchill para decidir a invasão do Dia D, saiu a nova frase: “Maio de 2016 - Maio de 2018 - O Brasil Voltou”.

Na frase original do Mouco a vírgula ainda aliviava a mancada. Nessa nova versão, nem isso. Os gênios tiveram um ataque de sinceridade e continuam alardeando que o Brasil andou pra trás.

Pelo menos, não é fake news.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Copa da Rússia: a hora é Hexa...

Arte CBF/Divulgação


por Niko Bolontrin

Aí estão os 23 jogadores da seleção de Tite com passagem comprada para Moscou. Sem surpresas. Como o próprio treinador afirmou na coletiva de hoje na sede da CBFa, é o grupo que se encaixa na sua concepção de jogo.

Na próxima segunda-feira, eles se apresentam em Teresópolis, onde treinam até no dia 26. Em 27 embarcam para Londres, para mais uma etapa de preparação que inclui dois amistosos: contra  a Croácia, no dia 3 de junho e Liverpool; e a Áustria, em Viena, no dia 10. Em seguida, o time parte para Sochi, na Rússia, para os ajustes finais antes da estréia na Copa, dia 17, contra a Suíça, em Rostov, às 15h, horário do Brasil.

Depois disso, é o Hexa ou o Nada.


Confira a lista:

GOLEIROS:
Alisson – AS Roma (ITA)

Cássio – Corinthians-SP

Ederson – Manchester City (ING)

DEFENSORES:

Danilo – Manchester City (ING)

Geromel – Grêmio-RS

Filipe Luís – Atlético de Madrid (ESP)

Marcelo – Real Madrid (ESP)

Marquinhos – Paris Saint Germain (FRA)

Miranda – Internazionale de Milão (ITA)

Fagner – Corinthians-SP

Thiago Silva – Paris Saint Germain (FRA)

MEIO CAMPISTAS:

Casemiro – Real Madrid (ESP)

Fernandinho – Manchester City (ING)

Fred – Shakhtar Donetsk (UCR)

Paulinho – Barcelona (ESP)

Philippe Coutinho – Barcelona (ESP)

Renato Augusto – Beijing Guoan (CHI)

Willian – Chelsea (ING)

ATACANTES:

Douglas Costa – Juventus (ITA)

Firmino – Liverpool (ING)

Gabriel Jesus – Manchester City (ING)

Neymar – Paris Saint Germain (FRA)

Taison – Shakhtar Donetsk

A capa e a Copa: Vogue russa escala Daniel Alves para ensaio de moda, mas chega às bancas com o brasileiro já fora do Mundial da Rússia


A lesão no joelho que tirou Daniel Alves da seleção de Tite afetou a Vogue russa. Como recordistas de títulos nos campeonatos europeus, o lateral brasileiro foi escalado no time da capa da revista alusiva à Copa da Rússia.
Daniel Alves posou ao lado da modelo Natalia Vodianova e dos jogadores Julian Draxler, alemão, e Fedor Smolov, da seleção russa.
Quando a revista chegou às bancas, os jornais já noticiavam a contusão do jogador do PSG e sua consequente exclusão da Copa.

domingo, 13 de maio de 2018

Memórias da redação: ...e Jussara Razzé assinou a Lei Áurea na Manchete

Foto de Orlando Abrunhosa

Em 1988 eram comemorados os 100 anos da Lei Áurea. A Manchete preparou um reportagem sobre o tema e o fotógrafo Orlando Abrunhosa foi escalado para fazer a foto de abertura.

Inicialmente, pensou-se em uma foto da sacada vazia do Paço Imperial, o local exato de onde a Princesa Isabel anunciou a libertação dos escravos. Mas o saudoso Orlandinho era detalhista e não embarcava necessariamente na primeira ideia. Ele propôs subir a serra rumo ao Museu Imperial de Petrópolis e refazer a cena histórica.

Lei Imperial 3353. Reprodução
Com um detalhe:  a assinatura seria simulada, mas o documento e a pena autênticos.

E assim foi feito.

A modelo escolhida foi Jussara Razzé, jornalista que trabalhava nos Serviços Editoriais da Bloch e era habitualmente "modelo de mãos" das revistas femininas desde que foi "descoberta" por Kiki Moretti, então editora da revista Mulher de Hoje.

Na pressa, a equipe só percebeu no local que faltava um figurino de época para envolver o braço direito da modelo e compor a cena. Orlandinho pediu uma peça de renda, algo assim. Ninguém menos do que D.Pedro Gastão, do ramo imperial de Petrópolis, neto da Princesa Isabel, foi o "produtor" que providenciou uma toalhinha de linho branco a título de manga e resolveu o problema.

A foto acima é uma Polaroid, do teste de luz que os fotógrafos costumavam fazer. A imagem original assinada por Orlandinho foi página dupla na Manchete.

Os créditos da reportagem: foto de Orlando Abrunhosa, produção de D. Pedro Gastão, modelo Jussara Razzé. O texto da matéria foi de Tarlis Batista.

Os acessórios da produção - a Lei Imperial n.º 3.353 e a pena cravejada de brilhantes - são aqueles que foram colocados à mesa da Princesa no Paço Imperial no dia 13 de maio de 1888, que Jussara Razzé "assinou" de novo 100 anos depois.

sábado, 12 de maio de 2018

Mãe 'empoderada' à espera de um longa-metragem...

por O.V.Pochê

"Ela é a dona de tudo/Ela é a rainha do lar/Ela vale mais para mim/Que o céu, que a terra, que o mar/Ela é a palavra mais linda/Que um dia o poeta escreveu/Ela é o tesouro que o pobre/Das mãos do senhor recebeu"

Marluce. Foto: Reprodução
Os versos acima são da famosa canção "Mamãe", de Agnaldo Timóteo, lançada em 1966. Tente imaginar Geddel Vieira de Lima entoando tal poesia, amanhã, em homenagem a Marluce Vieira Lima a empoderada mãe do ex-ministro e do deputado federal Lúcio Vieira de Lima.

O trio acaba de se tornar réu, segundo o STF, por crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Sei lá porque, mas o fato é que quando vejo foto de dona Marluce me lembro da Mama Fratelli, a vilã do filme "Os Gonnies", de Steven Spielberg, interpretada pela atriz Anna Ramsey.

A corrupção brasileira tem rendido uma série de filmes-louvação, todos muito politicamente engajados, sérios e moralistas. Falta um cineasta menos coxinha para captar que as peripécias dos irmãos Vieira de Lima e da Mama Marluce rendem uma mega comédia. Physique du role eles têm de sobra.

Anna Ramsey, a Mama Fratelli dos Gonnies
Foto Divulgação
Em "Os Gonnies", garotos tentam encontrar um tesouro mas são perseguidos por uma família de bandidos, os Fratelli, liderados por Mama Fratelli, que é uma senhora linha-dura e não hesita em embolachar a cara dos filhos quando estes dão mancada.

A saga de Geddel, Lúcio e Mama Marluce é praticamente um roteiro à espera de um diretor.

Além da Mama, uma personagem pronta para rodar um longa, tem tesouro - os 51 milhões de reais encontrados em um apartamento-bunker, tem os porões da política (Geddel era o Francis Underwood, de House of Cards, de Michel Temer), conta com uma impagável Mama Fratelli e episódios de traição. Geddel fez parte do escândalo dos "Anões do Orçamento" e  cinema adora anões, ainda mais anões vilões. Até sexo dá para encaixar. O mundo político de Brasília, sem ofensas e considerando as exceções, é um bordel a céu aberto. E tem o lado emotivo. Depois de preso, Geddel chora a toa. E o "drama" humano. Mama Marluce já disse que o filho é "doente'. A "doença" não foi especifica, pode ser  "síndrome da mão leve", patologia comum na política, mas é um elemento que dará ao filme dos Fratelli baianos um toque "humano'.

Falta só alguém falar "luz, câmera, ação".

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Neymar em recuperação, Daniel Alves fora da Copa. Alô, Tite, manda a seleção fazer um pit stop nos Barbadinhos...

por Niko Bolontrin

Contusão em véspera de Copa do Mundo é um fantasma que assusta muitos craques. Os problemas de Neymar, que após cirurgia retoma preparação no PSG, e Daniel Alves, com lesão no joelho e já afastado da seleção, deixam Tite em alerta e o obrigam a refazer planos.

O drama que Daniel Alves vive já atingiu diversos outros jogadores brasileiros a caminho de Copas.

Careca, por exemplo, cuja vocação de artilheiro teria sido decisiva na Espanha, em 1982, sofreu estiramento e foi sacado da lista. Ruptura de menisco tirou o volante Edmilson da Alemanha, 2006. O meia Juninho Paulista fraturou a perna pouco antes da Copa de 1998, na França. Clodoaldo, também por estiramento, não foi para a Alemanha, em 1974. Ricardo Gomes foi cortado já nos Estados Unidos, em 1994: sofreu contusão em um jogo-treino e não se recuperaria a tempo. O corte de Romário em 1998 foi mais polêmico. Ele se machucou e foi logo detonado por Zagallo. Na versão do jogador, a desconvocação foi política ou pessoal. Ele garantia que estaria recuperado na época do embarque. Deve ter mais. Emerson,  acho, não foi à Copa de 2002 porque se lesionou quando brincava de goleiro em um treino recreativo.

Melhor Tite levar o time nos Barbadinhos. Fica logo ali, no Centro do Rio. Antes de subir para os treinos em Teresópolis é só mandar o ônibus dar uma passadinha por lá e pedir a benção dos Capuchinhos. Não custa nada.

Documento da CIA revela mecanismo de assassinatos montado por Médici, Geisel e Figueiredo

O Globo foi o único grande jornal que estampou a denúncia com destaque na primeira página.

A Folha foi discreta. E coerente: o jornal defende que a ditadura foi "ditabranda". E preferiu usar
"avalizar" em vez de "autorizar"


Estadão também minimizou a notícia e sublinha o "aval' de Geisel. Só na pequena chamada usou o verbo "autorizar"

O Zero Hora deu minúscula chamada e preferiu dizer que Geisel "tinha controle".
por José Esmeraldo Gonçalves 

O passado ressurge, hoje, nas primeiras páginas dos jornais brasileiros. Matias Spektor, da Fundação Getúlio Vargas, revela o dramático conteúdo de um memorando da CIA, parte de um acervo que perdeu desde 2015, nos Estados Unidos, a classificação de "reservado".

No memorando de 11 de abril de 1974 o ex-diretor da CIA William Colby comunica ao Secretário de Estado Henry Kissinger que Ernesto Geisel - que tomou posse em março do mesmo ano -  foi informado da execução de 104 opositores do regime militar como ação rotineira do governo de Garrastazu Médici e autorizou a continuação do mecanismo oficial de extermínio de "subversivos".

Da reunião que validou o Estado como assassino participaram, além do próprio Geisel, João Figueiredo, que assumia a chefia do SNI, e os generais Milton Tavares de Souza e Confúcio Dantas de Paula Avelino. Figueredo, como se sabe, sucedeu Geisel e sob o seu governo aconteceu o atentado a bomba no Riocentro. Mas essa é outra história que algum memorando a ser retirado, no futuro próximo, de uma gaveta qualquer da CIA ou do Departamento de Estado americano revelará.

Aqui, como o Exército informa, hoje, documentos desse tipo foram destruídos.

Pesquisador há vinte anos, Spektor declara que o memorando do agente Colby é "perturbador". De fato, é uma folha de papel que tem o poder de demolir o castelo de cartas que alguns escritores, parte da mídia, muitos cientistas políticos, apoiadores da ditadura, filhotes e descendentes dos seus beneficiários ajudaram a construir. Um grande jornal foi até mais direto na elaboração do mito. A Folha de São Paulo - que muito além do apoio ao regime foi participante, contribuindo até com viaturas cedidas para a repressão - instituiu o conceito de "Ditabranda" para classificar o suave espectro cor-de-rosa que seus editores desenharam sobre uma das mais trágicas eras da história política do Brasil. Seria a tese de que nada existiu: a tortura era cordial, a censura foi amiga, o exílio era turístico e os assassinatos cenográficos.

O documento da CIA cita Geisel e os três generais fardados. Mas caberia muito mais gente nas salas do Planalto quando o assassinato político foi admitido como estratégia de governo. Gente civil, de paletó e gravata. Desde a década anterior os governos militares vinham erguendo conjunto de leis, como o Ato Institucional n° 5 e a própria instituição da pena de morte para crimes políticos (esta nunca aplicada oficialmente, mas, vê-se agora, imposta em segredo), como respaldo ao endurecimento do regime. O método que a CIA descreve tem muitos coadjuvantes. Basta ler a lista de ministros, governadores nomeados, altos funcionários, embaixadores, juízes, chefes de agências de segurança, comandantes, executivos de corporações que colaboraram com a repressão etc.

Muitos, desgraçadamente, permaneceram influentes na vida política do Brasil.

Não há inocentes no organograma de um regime capaz de fazer um macabro workshop para decidir mortes em massa. Seus sobrenomes estão aí em nomes de cidades, de ruas, de viadutos... E seus legados sobrevivem em artigos de jornais, nas redes sociais e até no programa de governo de certos candidatos a presidente neste sombrio 2018.

EM 1985, MATÉRIA DA REVISTA FATOS RELATAVA MÉTODOS 
DE EXTERMÍNIO DA DITADURA

Reprodução Fatos, 1985. 
É surpreendente que documentos como esse sejam revelados em toda sua extensão apenas 44 anos depois. Ao longo desse tempo, muitos jornalistas, escritores e pesquisadores enfrentaram barreiras para expor o passado. Mesmo assim, dezenas de reportagens aqui e ali montaram parte do mapa da violência política. O jornalismo investigativo se esforçou - e conseguiu - localizar centros de tortura e testemunhas dos efeitos da "política de governo" que o memorando da CIA oficializa. Se mais não conseguiu foi pela quase impossibilidade de encontrar documentos. A maioria das reportagens se baseava em depoimentos de ex-participantes dos órgãos de segurança e de sobreviventes. Os documentos, como a Fatos afirmou em 1985 e o Exército repete agora, foram destruídos. É preciso constatar também que a Anistia, assim como perdoou crimes como esse que a CIA conta, instaurou em muitos setores uma espécie de pauta do esquecimento. Mesmo assim, repito, embora pontas tenham ficado soltas, o método que o memorando revela foi exposto por vários repórteres em vários veículos em um jornalismo de resistência que levou à instauração da Comissão da Verdade.

 O Brasil é que, aparentemente, não quis puxar esse fio desencapado.

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