sábado, 21 de outubro de 2017

Capas: os eleitos que a história cassou...

O deboche

Antes, o queridão
por Ed Sá
Deve ser alguma mandinga. De tempos em tempos, a Veja faz apostas entusiasmadas em nomes que geralmente apresenta como o que há de melhor na face da terra. Alguns, até ajudou a eleger ou entrou no embalo de ungir o elemento por vias de golpe. Como a vadia que se apaixona pelo cafetão errado, a Veja se decepciona. Deve chorar lágrimas de esguicho, como dizia Nelson Rodrigues.
A capa dessa semana é Aécio Neves. O mineiro já foi exaltado em várias outras capas. Era o presidente dos sonhos molhados da revista. Dessa vez, virou caricatura do deboche.
Collor de Mello também foi o golden boy da Veja. Fora da política, Eike Batista era o exemplo para um país de fracassados. Temer foi a esperança carinhosamente abraçada.
Pode carimbar, ser capa da Veja dá mais azar do que usar cocar de índio. Ou a percepção política da revista é tão ruim que ela vive caindo em pegadinhas. Pena que o Brasil paga o preço.

A aposta 
A decepção

O empresário-exaltação

O dono da empresa PropinaX

Todas as fichas nele

O resultado

Tite não quer "papagaio de pirata" fazendo selfie na concentração da seleção brasileira na Rússia...

O assédio de celebridades, mídia e parentes de jogadores na concentração da seleção brasileira começou a passar dos limites durante a Copa de 1998, na França. Houve registros de famílias e namoradas levando encrencas sentimentais aos bastidores e desconcentrando certos craques. Em Paris, a mídia não esteve tão invasiva em relação ao que aconteceria em 2006, 2010 e 2014. Já em 2002, na Copa Japão-Coréia do Sul, os preços e a distância se encarregaram de enxugar comitivas de parentes e até mesmo equipes de jornais, revistas e TV.

Brasileiros lotam estação de Munique. A Copa de 2006 foi a que mais atraiu brasileiros ao exterior.
Na época, com dois meses de antecedência, as agências de turismo
tiveram pacotes esgotados.  Foto J.E.Gonçalves

Na Alemanha 2006,  o bicho pegou. Talvez a parentada até tenha estado mais calma. Algumas mídias não. Celebridades badalando nos treinos, programas de entretenimento da TV fazendo "especiais", jornalistas amigos convidados a jantares com vinho do Reno na concentração e telejornais noturnos obrigando jogadores da permanecer acordados para "entradas ao vivo", patrocinadores fazendo "ações de marketing" etc. Jornalistas de veículos menos afortunados, aqueles aos quais a cobertura estritamente esportiva era fundamental, enfrentaram dificuldades em certos locais e momentos. Talvez a torcida não tenha saudade da Copa da Alemanha, mas alguns jogadores viveram lá noites de belas Valquírias. O dia seguinte aos jogos era livre. E, depois do apito final, cada um seguia seu rumo. Dusseldorf e Dortmund, respectivamente a pouco mais de 50km e a cerca de 150km de distância, foram os destinos preferidos. Em 2010, com o Brasil em bom momento econômico, dólar a menos de R$1.700, com o atrativo irresistível de a Copa ser na Europa, a Alemanha virou Brasil. Colônia, principalmente, mas não apenas essa cidade, com a mobilidade que o país permitia a torcida circulou por outras sedes.

A foto acima mostra torcedores brasileiros  lotando a estação de Munique, a caminho da Allianz Arena, no dia em que o Brasil derrotou a Austrália por 2X0.

Na África do Sul, 2010, o intenso assédio se repetiu. Com um complicador a mais: o então treinador Dunga tentou controlar horários e impor limites à mídia e aos programas de entretenimento - que, cada um, queria sua exclusiva -, e se deu mal ao barrar figuras influentes. Interesses poderosos entraram em guerra com o técnico e muito dessa tensão chegou aos jogadores.

Em 2014, aqui no nosso terreiro, o acesso tornou-se incontrolável. Com a Granja Comary logo ali, os jogadores talvez tenham gastado mais tempo posando para selfies e fazendo participações em programas de TV do que ouvindo preleções do treinador.

Esse liberou geral para acesso aos jogadores nas vésperas de jogos nunca deu muito certo. O maior exemplo é a noite que antecedeu a final da Copa de 1950. Políticos, ídolos do rádio, padre celebrando missa, o filho do Chefe de Polícia, a mãe do ministro, a cunhadinha do juiz, a amante do burocrata federal... O clima era de "já ganhou" e tudo que era papagaio de pirata baixou na concentração. Alguns ficaram até de madrugada. Deu no que deu.

Em 1958, na Suécia, em 1962, no Chile e em 1970, no México, quando smartphones nem ficção eram e só o Agente 86 dos anos 60 tinha telefone móvel no sapato, não houve nada parecido. Na Argentina, 1978, embora logo ali, o pesado clima da ditadura e uma certa descrença na seleção não animaram muita gente. Acrescente-se que a inflação estava em alta, quase 40%, e o dólar batia recordes históricos.

Na Copa da Rússia, quem sabe o que acontecerá? Tite já tem um ideia do que não quer. Ontem, o treinador revelou que não permitirá que familiares de jogadores, como estava sendo cogitado, se hospedem no mesmo hotel que sediará a concentração da seleção. Quer garantir o máximo de privacidade aos jogadores. Apesar disso, ninguém estará muito longe dos craques. A bela cidade de Sochi, que sediou as últimas Olimpíadas de Inverno, é candidata a receber o Brasil. Tem menos de 400 mil habitantes, é um balneário de clima ameno às margens do Mar Negro e limitada pelas montanhas do Cáucaso. Um convite à perdição.  "Ajustar para uma outra possibilidade dos familiares estarem próximos a quem quiser, aí é um outro fator, uma outra circunstância. No núcleo seleção brasileira, não”, disse Tite ao R7. O treinador também promete que excessos por parte da mídia serão evitados. Na Granja Comary, até treinos foram interrompidos para gravações privilegiadas de matérias para a TV Globo.

Se Tite vai segurar esse foguete só o tempo dirá.


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Polícia do pensamento ? Folha enquadra atuação dos seus jornalistas e colaboradores até em contas privadas das redes sociais

Quase chegando lá. Polícia do Pensamento, sabe-se, é a instituição do país fictício criado por George Orwell no livro 1984. Uma espécie de força-tarefa do MP da Oceânia, Lestásia e Eurásia destinada a antecipar o controle de idéias, pensamentos e abortar ações subversivas quando ainda gestadas no cérebro.

Quando o humorista Danilo Gentili reclamou de uma critica ao seu filme "Como se tornar o pior aluno da escola", a Folha demitiu o autor da entrevista, o repórter Diego Bargas. Coincidentemente, o jornal anuncia parceria de marketing em torno da obra que originou o longa-metragem, na base do compre o livro e veja o filme. Mas isso não deve ter nada a ver.

Diego dançou e a Folha alegou que opiniões antigas emitidas pelo jornalista nas redes sociais estariam em desacordo com as normas da redação.

Daí, danem-se os escrúpulos, o jornalão dos Frias baixou o que a redação está chamando de AI-5. Digamos que no "decreto" há itens aceitáveis em relação à responsabilidade profissional sobre informações internas da redação, bastidores de reportagem, sigilo sobre conteúdos, matérias exclusivas etc. O problema é quando o documento amplia o AI-5  e veta pensamentos ou atitudes como um jornalista da Folha, imagine, "apoiar um dos lados em uma controvérsia", isso mesmo, até fora do horário de trabalho e nas redes sociais privadas.

A linguagem do AI-5 da Folha parece detalhada, como se fosse uma peça jurídica, mas tem brechas de imprecisão. Quer ver? Teoricamente, se a mulher de um repórter tiver uma desavença com a sogra e este apoiar um dos lados da "controvérsia" e publicar isso no seu Face, estará infringindo a lei de segurança da Folha. Se vibrar Facebook ou no Instagram com a vitória do Palmeiras será chamado aos costumes. Se postar um vídeo de uma "controvérsia" nas ruas, por exemplo, um magistrado dando carteirada e ofendendo um guarda municipal poderá ser enquadrado. Mas há também trechos de puro bom humor, como o que diz que a da Folha "tem o apartidarismo como princípio editorial".

O que o jornal botou no papel é o seguinte; a Folha acredita que ao pagar um salário aos seus funcionários e remunerar seus colunistas e colaboradores está comprando também suas ideias e pensamentos fora do horário de trabalho e fora das funções de cada um. E deixa isso bem claro para quem manda e para quem obedece.

Curiosamente 1: o manual vazou. O que já implica em um "infração" por parte de quem divulgou um "documento interno" da empresa. Mas a Folha não deve reclamar disso, já que legitimou tantos vazamentos nos últimos anos.

Curiosamente 2: a Folha enquadra a rede social quando demissão do repórter Diego Borges não teve a ver com internet mas com matéria publicada no impresso. E aí fica a pergunta: a "sharia" da Folha não vai inibir críticas ou aguçar instintos de sobrevivência? Vai que o dono do filme, do livro, da empresa, do museu, do ministério, da prefeitura não goste do que for publicado?  Vai valer a "jurisprudência" do caso Diego Borges?

Melhor o pessoal criar avatares para suas contas pessoais na rede. E avatares acima de qualquer suspeita. "Gentili do Morumbi", "Bolsonaro do Tatuapé", "Temer do Jaburu" e "Kataguiri da Vila Matilde" são boas sugestões.

Conheça ato institucional da Folha

1. A Folha encoraja seus profissionais a manter contas em redes sociais. Podem ser ferramentas úteis para fazer novos contatos e cultivar antigos, pesquisar pautas, tendências e personagens, agilizar apurações e promover conteúdo próprio e de colegas de jornal, expandindo o alcance do material publicado;

2. Nas redes sociais, a imagem pessoal tende a se misturar com a profissional. Parcela do público pode pôr em dúvida a isenção daquele que, na internet, manifesta opiniões sobre assuntos direta ou indiretamente associados a sua área de cobertura, especialmente as opiniões de cunho político-partidário e em áreas de cobertura de tópicos controversos;

3. Mesmo que o faça fora do horário de trabalho e ressalve que aquela é uma posição pessoal, o jornalista fica sujeito a suspeição, assim como o veículo. Revelar preferências partidárias e futebolísticas ou adotar um lado em controvérsias tende a reduzir a credibilidade do jornalista e a 
da Folha, que tem o apartidarismo como princípio editorial;

4. A melhor maneira de evitar armadilhas é assumir que conteúdo postado na internet é público, nunca desaparece e pode ser facilmente descontextualizado. O alerta também vale para ferramentas de comunicação privada nas redes sociais ou aplicativos de mensagens;

5. A responsabilidade pelos comentários em página pessoal nas redes sociais é exclusiva do jornalista, mas uma manifestação imprudente, mesmo que não diga respeito a sua área de cobertura, pode dificultar o trabalho de colegas de Redação e, eventualmente, sua própria atuação futura. Assim como repórteres acompanham as redes sociais de pessoas públicas, as fontes, os possíveis entrevistados e grupos de pressão também consultam o perfil digital de jornalistas;

6. Tenha cuidado ao compartilhar conteúdos externos. O ato pode ser interpretado como endosso à opinião ou à veracidade da notícia. Ao postar conteúdo opinativo ou polêmico de terceiros, adicione uma introdução neutra. Exemplo: Dilma atacando o ex-vice. @dilmabr: A onda regressiva do governo golpista vai se agravando;

7. Além de seguir as orientações acima, o profissional não pode:

— antecipar reportagens e colunas que serão publicadas (incluindo teasers), mesmo as de sua autoria, salvo com autorização de seus superiores ou, se colunista, da Secretaria de Redação;
— divulgar bastidores da Redação ou dados e documentos internos da empresa, a menos que seja decisão do jornal;
— divulgar informação que o jornal decidiu não publicar por colocar em risco pessoas ou empresas (como sequestro em andamento ou boatos de falência, por exemplo);
— emitir juízos que comprometam a independência ou prejudiquem a reputação, a isenção ou a linha editorial da Folha ou de seus jornalistas;
— utilizar contas da Folha nas redes sociais em desacordo com os procedimentos e as condutas prescritas no Manual;
— destratar quem quer que seja. Em caso de insultos ou ofensas pessoais, responda educadamente ou ignore, mas jamais troque desaforos com quem quer que seja. Se pertinente, os superiores hierárquicos devem ser informados da altercação. Esse comportamento também é esperado de colunistas;
— postar conteúdo integral de reportagens e colunas. Em vez disso, deve-se publicar um link para a Folha, de preferência com uma amostra do material jornalístico. Na publicação de conteúdo jornalístico, incluindo imagens, o profissional da Redação deve dar prioridade às plataformas da Folha. O mesmo vale para análises e opiniões, dado que o jornal cultiva uma política de exclusividade;

8. A Empresa Folha da Manhã S.A. oferece serviço de assistência jurídica aos profissionais que dela necessitem em decorrência de sua atuação na Folha. Além disso, consultores jurídicos ajudam a esclarecer questões legais relacionadas a conteúdos jornalísticos que a Redação queira publicar.

Memória da propaganda: o "inimigo" estava chegando...

por Flávio Sépia 
Esse anúncio institucional da Veja é de 2001.
Embora as redes sociais ainda estivessem a anos-luz do impacto atual como veículos pessoais de comunicação a Internet não abalava a maioria dos jornais e revistas, mas já assombrava o futuro desses meios impressos.

Surgiam os primeiros smartphones e, três anos depois da publicação dessa mensagem, o Brasil atingia 30 milhões de internautas e o Orkut era uma febre.

A Veja publicava uma edição especial sobre Vida Digital, mas não deixava de mandar um recado em defesa do meio revista. A ameaça que na década seguinte se tornara crítica era antevista.

Em 16 anos de tempestades, o fim das revistas foi muitas vezes decretado. Com esforço e criatividade de alguns veículos, o desfecho tem sido adiado e, embora o próprio mercado o considere inevitável, o enterro não tem data marcada. O sinal mais recente é a política de integração das redações e plataforma com um indesejado mais visível esvaziamento do meio impresso, até pelas sua velocidade obrigatoriamente mais baixA

Muitos títulos sumiram no Brasil e no mundo desde 2001.A frase que, na época, tentava motivar o leitor a ir logo às bancas comprar um produto exclusivo e que estaria disponível por apenas uma semana, ganhou, ao longo do avanço das mídias digitais, um sentido mais apocalíptico: "já a revista só fica na banco por pouco tempo".

Se lesse tal anúncio, hoje, quando o Brasil tem ceca de 130 milhões de internautas, restaria ao leitor repetir o bordão do Chico Anysio: "captei vossa mensagem astrológico guru".

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Deu no Mirror: fotógrafo brasileiro faz o "paparazzo" do prazer feminino...


O fotógrafo brasileiro Marcos Alberti quis ter o prazer de "quebrar barreiras em torno da sexualidade feminina". E assim define o seu projeto que captura rostos de mulheres fotografados antes, durante e depois do orgasmo.

O jornal Mirror publica uma matéria sobre "The O Project" que reúne cerca de 20 mulheres americanas, francesas, chinesas e cingapurianas e suas expressões reais estimuladas por vibradores.

No seu book, Alberti tem um trabalho similar, no caso, fotografou uma série de pessoas antes e depois de consumirem três copos de bebida alcoólica.

Você pode saber mais no Mirror e ver outras imagens e um vídeo de bastidores no site 
do fotógrafo paulista Marcos Alberti, 




quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Mais uma onda de demissões. No jornalismo, "integração de redações", "sinergia", "reestruturação", "ajustes em função do desenho ideal" e "readequação" têm o mesmo significado: o RH te chama...

Nas últimas semanas, era tenso e triste o clima nas redações do SporTv. Havia sinais de que o tempo ia fechar. Desde o ano passado, falava-se em enxugamento da estrutura e gestão integrada dos eventos esportivos veiculados pela Globo, SporTV e Globoesporte.com e Globosat.

Pois essa águia pousou. A tendência de agrupar todas as mídias de veículos de um mesmo grupo tritura centenas de empregos. Só nessa semana, calcula-se em 40 o número de jornalistas demitidos.

Se financeiramente caem os custos das operações, o que se vê onde foi implantada a sinergia levada ao ponto crítico é uma perda de conteúdo. As plataformas excessivamente integradas tendem a replicar os mesmos assuntos, geralmente em prejuízo do meio impresso cujos processos são naturalmente mais lentos. Confira: a maior parte do conteúdo do jornal do dia seguinte pode ser lida na internet cerca de 12 horas antes.

Uma alternativa para valorizar o impresso seria um jornalismo crítico, de análise. Frequentemente,  isso é prometido, mas não é o que acontece na prática. As "análises" ficam a cargo de colunistas e articulistas convidados, com quase todos pensando da mesma maneira, e acabam se tornando meras opiniões sem base confiável em fatos ou distorcendo estes.

As emissoras de rádio do mesmo grupo, a partir de mudanças recentes e ainda em curso, demitem profissionais de longa atuação para absorver nomes da TV e dos canais por assinatura. Para o leitor, telespectador ou ouvinte, fica a impressão de um jogral jornalístico de repetição. Parodiando a famosa frase de Churchill, nunca tantos ouvirão as mesmas notícias na voz de tão poucos.

Em 2013, quando milhares de postos de trabalho foram extintos em jornais e revistas, o jornalista Bruno Torturra criou a figura do "ficaralho". Define, como o nome diz, os que ficam após os voos dos "passaralhos". Preservam os empregos, mas acumulam dupla ou tripla função e suprem cargos e funções vaporizados e que jamais voltarão.

Que jeito?

Fotografia: a persiana da vergonha...







O fotógrafo Luís Nova, da D.Press-Brasil, fez uma foto especial para o Correio Braziliense e emplacou espaços nas capas de quatro jornais, hoje. 

A imagem de Aécio Neves, em casa, em Brasília, ontem à noite, após sua esmagadora vitória no Senado, é a mais representativa da derrota da ética em um jogo de cartas mais do que marcadas desde que o STF abriu a porteira para a impunidade dos políticos. 

É o retrato simbólico de um sujeito privilegiado que sabe que foi posto acima da sociedade e dos demais cidadãos e, mesmo assim, não tem coragem de encará-los. 

É a tradução mais perfeita do político que vê o Brasil apenas pela fresta dos seus interesses pessoais. 

Além do Correio Braziliense, o jornal O Povo, de Fortaleza, e O Globo destacaram a foto. O Estadão também a usou, em segundo plano.

A foto de Luís Nova é uma dessas que resume para a história um instante significativo da deformação de um sistema que produz castas privilegiadas. 

Seus favorecidos estão tão à vontade nas suas torres de luxo que dispensam a sociedade. O máximo de satisfação que dão dos seus atos é uma persiana entreaberta por alguns segundos.  

ATUALIZAÇÃO EM 19/10/2017 - 

  
A foto que ganhou primeira página de vários jornais, ontem, distribuída como sendo de Aécio Neves, após a votação que devolveu ao mineiro investigado por corrupção o cargo de senador, não seria do politico do PSDB. O staff de Aécio informa que o homem da fresta é um dos seus assessores. O Globo de hoje publica a correção. Não foi revelado até o momento o nome do assessor. 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Jornalista que investigava o escândalo Panama Papers morre em atentado


A jornalista Daphne Galizia, de Malta, que investigava em seu blog (Running Commentary) o envolvimento do governo local no escândalo Panama Papers, morreu ontem em explosão que destruiu seu carro. A explosão ocorreu perto da residência da jornalista, na aldeia de Bidnija. Na véspera, ela denunciou ter recebido ameaças. Malta, como o Panamá, é conhecido paraíso fiscal.



Uma das matérias publicadas em maio desse ano no blog da jornalista Daphne Galízia.
A página foi atualizada até ontem.

Parentes da jornalista culpam o governo, segundo o jornal El País. Daphe Galizia, de 53 anos, estava à frente das denúncias que atingem autoridades. Apesar disso, o partido do governo acaba de obter expressiva vitória nas urnas.

O caso que ficou conhecido como Panama Papers também atingiu o Brasil, segundo documentos vazados do escritório de advocacia Mossack Fonseca, que intermediava abertura de contas e empresas de fachada. Dezenas de pessoas físicas e poderosas corporações brasileiras foram citadas como titulares de contas suspeitas de terem sido abertas para evitar pagamento de impostos.

Um pool global de jornalistas - foram mais de 300 repórteres em quase 80 países -  publicou, no ano passado, uma série de reportagens sobre os Panama Papers. No Brasil, o jornal O Estado de S. Paulo, o portal e a RedeTV! representaram o pool, que foi vencedor do Prêmio Pulitzer de Jornalismo de 2017. Aqui, houve críticas à "seleção" dos temas abordados entre os milhares de documentos do Mossack Fonseca. Na época, a Agência Brasil informou que a Receita Federal e a PGR "estavam atentas" às denúncias. Após a repercussão inicial, o caso foi perdendo destaque e acabou abafado e teve o destino de outro rumoroso escândalo, o do esquecido e chamado Swissleaks:  virou "notícia velha".

Aparentemente, mídia e Justiça tinham mais o que fazer.

Fotografia: bombeiro faz imagem dramática de incêndio florestal

O bombeiro português Hélio Madeiras trabalhava na contenção do fogo em Vieira de Leiria quando tirou essa foto impressionante e postou em sua conta no Facebook. Ele revelou ao jornal Público que pretendia alertar amigos e parentes para a assustadora extensão do incêndio florestal em Portugal. No mesmo momento em que a Califórnia também é devastada por incêndios na mata, a ONU republicou a foto em seus portais, com a informação de que as mudanças climáticas têm a ver com a intensificação desse tipo de tragédia.

O intelectual que se deu bem...


por Jean-Paul Lagarride 

No ano passado, a bela modelo paquistanesa Padma Lakshmi lançou seu livro de memórias, Love, Loss, and What We Ate: A Memoir (Amazon). Ela foi casada com o escritor Salman Rushdie.

Durou três anos o romance. Lakshimi não foi muito generosa ao descrever Rushdie: "ansioso, inseguro, queria sexo até quando eu estava com cólicas e me humilhava intelectualmente". A modelo conta que o escritor tinha inveja da sua fama e das capas de revistas que a estampavam.


Marilyn Monroe também tentou essa difícil fusão - ainda vista por muitos com preconceito e tida como o encontro de formas exuberantes e conteúdo intelectual -  ao se casar com o dramaturgo Arthur Miller. O casamento resistiu por mais de cinco anos. E o motivo do rompimento é conhecido: MM achou em uma gaveta o diário pessoal de Miller e leu que ele ficava com vergonha dela quando na presença dos seus amigos intelectuais.

A Paris Match dessa semana publica uma matéria com a lindíssima top model Adriana Lima. A brasileira aposta em um desses relacionamentos e tornou pública sua união com o escritor turco Metin Hara. O que dizer? Que sua história desminta a lenda.
A matéria completa está na Paris Match, clique AQUI

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Federação Nacional dos Jornalistas divulga nota repudiando demissão de repórter da Folha após reação do humorista Danilo Gentili, que não gostou de crítica de filme...

"O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam veementemente a perseguição contra o jornalista Diego Bargas, por incitação do humorista Danilo Gentili, e, em seguida, a sua demissão do jornal Folha de S.Paulo.

A demissão ocorreu poucas horas depois de Gentili, em rede social, ter incitado a perseguição ao jornalista, após a publicação de matéria assinada por Bargas, “Comédia juvenil ri de bullying e pedofilia”, sobre filme concebido e estrelado por Gentili. A matéria foi publicada nesta sexta-feira (13 de outubro), na Folha de S.Paulo. Após a publicação, no início da tarde, o humorista reagiu incitando o ódio na internet e estimulando seus mais de 15 milhões de seguidores no twitter a perseguir Bargas. O jornalista passou a sofrer ofensas e xingamentos em todos os seus perfis em rede social.

É mais um grave caso de perseguição e intimidação a jornalistas, o sexto ocorrido em São Paulo nos últimos meses, e que mostra uma escalada contra a liberdade de expressão e de imprensa em nosso país. O texto de Bargas é uma reportagem correta, que analisa o filme e reproduz pontos de vista de Gentili e do diretor Fabrício Bittar expressos em entrevista ao jornalista. Gentili, porém, decide massacrar o jornalista em rede social, mostrando sua intolerância à atividade jornalística, e manipular o episódio para tentar melhorar o resultado comercial de seu produto.

A situação agravou-se, pois, poucas horas depois de Gentili ter iniciado sua ação intimidatória, o jornalista foi comunicado, no início da noite de sexta-feira, de sua demissão pela chefia. A Folha de S.Paulo, ao tomar tal atitude, demonstra não ter o mínimo compromisso com princípios como a liberdade de imprensa, de expressão e com a pluralidade, dos quais a empresa se reclama em suas campanhas de marketing.

O Sindicato se coloca à disposição do jornalista e, junto com a Fenaj, continuará defendendo os profissionais de todo e qualquer tipo de assédio, intimidação ou perseguição, e lutando pela liberdade de imprensa e pelo respeito às condições fundamentais para o exercício de um jornalismo de qualidade."

Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Federação Nacional dos Jornalistas

Dakota Johnson é vítima de bullying em capa de revista



por Clara S. Britto
Dakota Johnson está na capa da Vogue España, de outubro. Bem desconfortável. Espremida e comprimida. Bateram a porta na cara dela. A foto de Emma Summerton não rendeu provavelmente
o efeito esperado.
Para o site Fashion Spot, há algo ridículo na imagem, a cabeça parece que foi adicionada e as sombras dão impressão de falsas. O layout não ajudou. Nas páginas internas, o ensaio expressa melhor a beleza da atriz  de "50 Tons de Cinza". Veja o vídeo AQUI

A conta do golpe...


LEIA SOBRE A MEDIDA DO GOVERNO QUE FAVORECE 
A ESCRAVIDÃO DE TRABALHADORES
CLIQUE AQUI

Lembra da Constituição? Não é mais aquela. Ganhou uma nova cláusula pétrea




por O.V.Pochê 

Depois da folclórica decisão do STF, instância maior e última, mas que abriu mão do seu papel para repassar ao Congresso uma espécie de franchising dona da última palavra, dizem que a Constituição vai para a gráfica um novo subtítulo na capa.

É que o livrinho acaba de ganhar uma cláusula importantíssima no final das suas disposições. Artigo último, parágrafo único: "Tudo o que está escrito acima, depende. Perguntem ao Senado. Revogadas as disposições em contrário". 

Ok, continua sendo a Constituição, mas agora está sujeita a vários fatores caso a caso, se faz sol, se chove, se a frente fria vai entrar, se vai dar praia no Leblon, se Miami está lá mesmo, de quem é o crachá, do choque dos asteroides, do ponto certo do pão de queijo mineiro, da umidade do ar em São João Del Rey e da grife da mala.

Fake news sobre Wagner Moura bomba na web...



As armadilhas das fake news não poupam o meio impresso. O Globo publicou nas edição de domingo, 15/10/2017, que o ator Wagner Moura havia comprado um carro blindado. Na segunda, 16/10/2017, o jornal desmentiu a notícia.

Por suas posições políticas e ativismo social,Wagner Moura é alvo das brigadas digitais. Protestou contra o impeachment, denuncia o golpe aqui e lá fora, pede "fora Temer" e diretas-já.

Os haters e páginas da direita radical reproduziram a nota nas redes sociais babando de satisfação. "Luta contra a redução da maioridade penal e não quer que as pessoas tenham o direito de andar armadas. Para ele é fácil dizer isso, uma vez que pode andar de carro blindado", bradou um deles, entre dezenas de links no Google.

Dizem que as fake news só são divulgadas e se propagam porque quem publica, compartilha, curte, tuíta e retuíta quer muito acreditar nelas.

O Globo protege a fonte da "notícia" e admite o erro. Publicou a nota sem checar com o protagonista ou com a suposta agência que teria vendido o suposto carro blindado e confessou: "Falhamos".

Reconheceu o erro, menos mal.

Mas era tarde.

E não se pode esperar que as redes sociais e as dezenas de sites que reproduziram a nota publiquem agora a retificação. Para esses, o objetivo de usar a falsa notícia para disparar críticas e ofensas contra o ator foi alcançado. Game over.

Folha de São Paulo demite jornalista que Danilo Gentile chamou de "torcedor do PT"

A matéria está na Revista Fórum

"Folha assume que demitiu jornalista por “manifestar posições político-partidárias”
Além disso, o jornalão paulistano ainda criticou Danilo Gentili pela perseguição que empreendeu a Diego Bargas logo após a divulgação de sua matéria"

O Jornal Folha de São Paulo demitiu, na última sexta-feira (13), o jornalista Diego Bargas (foto), que entrevistou Danilo Gentili e fez crítica negativa ao filme “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola”. O jornal soltou nota na edição desta segunda-feira (16), onde assume que Bargas foi demitido por “manifestar posições político-partidárias”:

“Bargas foi desligado do jornal na última sexta-feira (13) por, segundo a Direção de Redação, ter desrespeitado orientação reiterada sobre comportamento nas redes sociais.

Os jornalistas da Folha são orientados a evitar manifestar posições político-partidárias e a não emitir nas redes juízos que comprometam a independência de suas reportagens.

O jornal ofereceu assistência jurídica ao repórter para se defender de ameaças e ilegalidades nas redes sociais.”

O jornalão paulistano acendeu uma vela a Deus e outra ao diabo quando, em matéria onde reproduz a nota da demissão de Bargas, critica Danilo Gentili pela perseguição que empreendeu ao jornalista logo após a divulgação de sua matéria:

“O humorista Danilo Gentili questionou em sua conta numa rede social reportagem publicada pela Folha a respeito de filme do qual é protagonista e roteirista, o que levou seus seguidores a criticar o jornal e atacar o repórter que produziu o texto.

Publicada na última sexta (13), a reportagem “Comédia juvenil ri de bullying e pedofilia” trata do filme “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola”, inspirado em livro de Gentili. No mesmo dia, o humorista divulgou uma gravação da íntegra da entrevista que concedeu ao repórter Diego Bargas e questionou sua isenção.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NA FÓRUM, CLIQUE AQUI


domingo, 15 de outubro de 2017

Deu no site do Ministério da Defesa - Eleições 2018 - Apoio de traficantes a políticos e crimes eleitorais cibernéticos estão na mira do Exército

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, se reuniu semana passada com o ministro do Superior Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, na sede do STF, em Brasília (DF). O objetivo do encontro foi abordar a influência do crime organizado nas eleições de 2018 e o combate a crimes eleitorais e cibernéticos.

O ministro da Defesa falou sobre a presença do crime organizado no Rio de Janeiro e em outros estados da federação, além do aumento dos crimes eleitorais cibernéticos.  “O Rio de Janeiro tem 850 comunidades, aproximadamente um milhão de pessoas que vivem sob o controle do tráfico”, disse. “Além disso, esse estado paralelo leva ao crime para o coração do estado e das instituições. Isso tem que ser combatido”, ressaltou.

“Os crimes cibernéticos, que têm crescido em todo o mundo, e, com uma nova legislação, vão jogar muito peso nas próximas eleições, nas redes sociais. É fundamental contar também com um comitê que se preocupe com os crimes eleitorais cibernéticos”, continuou Jungmann.

Gilmar Mendes explicou as mudanças nos procedimentos de doações feitos a candidatos e partidos políticos. “Antes, como vocês sabem, nós tínhamos a doação de pessoas jurídicas, as chamadas doações corporativas, esse era o dominante, esse era o sustentáculo das eleições. Nós tivemos a decisão do supremo em 2015, calcado também no contexto desses escândalos, que proibiu a doação das corporações”, disse.

Segundo o presidente do TSE, a partir 2016, quando as doações puderam ser de candidatos, pessoas físicas ou partidos políticos, dos 730 mil doadores, cerca de 300 mil apresentaram algum tipo irregularidade. “O quê que isso sugere? Que está havendo aquilo que nós chamamos o uso de laranjas, caças CPF, e, certamente, neste contexto, nós temos que ter preocupação com o crime organizado que já dispõe do dinheiro ilícito e faz a distribuição”, afirmou.

Gilmar Mendes disse ainda estar em contato com diversos órgãos, como a Receita Federal e Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), para as cautelas necessárias a essa nova legislação. “Vamos, de fato, combinar ações que permitam um monitoramento, vamos dizer assim, quase que on line dessas doações”, explicou.

Forças Armadas

Em relação ao aumento da presença das Forças Armadas nas próximas eleições, o ministro da Defesa lembrou que a requisição é atribuição do TSE, órgão responsável por essa avaliação junto aos tribunais regionais eleitorais.

Jungmann e Gilmar Mendes estiveram nas eleições municipais no estado do Maranhão, em 2016, quando grupos criminosos mandaram queimar escolas que serviam de locais de votação. “Sete escolas foram queimadas, impedindo o cidadão de exercer o direito constitucional, que é o de escolher o seu representante”, ressaltou o ministro da Defesa.

“Essa atuação do crime no período eleitoral ameaça à democracia, por isso é tão importante essa convocação feita pelo presidente do TSE. O crime quando alcança esse status de estado paralelo, como no Rio de Janeiro, é uma ameaça à democracia e tem que ser combatido por todos”, afirmou Jungmann.

Segundo o ministro da Defesa, é preciso impedir, primeiro, que os candidatos não sejam apoiados pelos criminosos e segundo, de eleger os seus representantes e colocá-los dentro dos parlamentos.

Ao final do encontro, os ministros agendaram uma nova reunião para próxima semana, com o intuito de dar prosseguimento a esse trabalho. “Nós queremos incorporar o general Etchegoyen (GSI), o ministro Torquato (MJ), a Procuradora Geral da República, para que nós prossigamos”, afirmou Gilmar Mendes.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa

Em tempos de ódio, a Volkswagen americana faz um anúncio que remete a dias de esperança



É apenas um anúncio. Foi lançado nos Estados Unidos há três dias. A Volkswagen americana quis "comemorar a conexão emocional com as pessoas", "explorar sua herança" .

Nos anos 1960, a velha Kombi foi associada a um espírito de liberdade, de convivência, deixando a individualidade na poeira da estrada.

Ao usá-la como símbolo das pessoas que impulsionaram a marca, o comercial recorre a Woodstock e a canção "With a Little Help From My Friends", na versão de Joe Cocker.

Na verdade, 'sem querer querendo', fez um contraponto com o atual ecossistema social onde o ódio, a censura e o rancor rompem o diálogo, por mínimo que seja, e apontou para um tempo de mentes livres e não acomodadas, participantes.

Já viu as somras por aí? Não está em jogo apenas a política, mas a liberdade.

Melhor pisar no acelerador da Kombi.

PARA VER O VÍDEO, CLIQUE AQUI


Mídia e Lava Jato na era do "jornalismo premiado"



por Márcio Chaer, Marcos de Vasconcellos e Fernando Martines (para o CONJUR)

Tradição dos lares brasileiros, a telenovela ganhou nova forma e horários. Agora, o cenário é bem mais simples: uma bancada com um ou dois apresentadores. E a exibição é de manhã, depois do almoço, às 20h30 e de madrugada. No enredo imutável, âncoras e repórteres mostram como a República está sempre por um fio. Os picos de audiência apontam que a fórmula agrada ao público.

Ganhador do prêmio Esso quando jornalista, o atual consultor de crises Mário Rosa constata que o público não quer mais saber quem matou Odete Roitman. Ele quer ouvir os áudios das conversas privadas do presidente. Ou ver vídeos de parlamentares pegando malas de dinheiro. O ponto alto da adrenalina agora é durante o noticiário.

Na análise de Rosa, essa dinâmica da produção jornalística tem motivações financeiras. Em um momento de crise econômica e disputa por atenção de um público ávido por smartphones a imprensa se vê tendo acesso a um material com alto potencial de audiência.

O jornalismo da 'lava jato' é um jornalismo cartorial, que vem com número de protocolo, que reproduz o discurso do Estado.

A fonte é o Estado, mesmo que as denúncias também sejam contra ele – o Estado são vários. Ministério Público Federal e Polícia Federal gastam milhões de sua verba para produzir áudios, vídeos e fotos comprometedores. Esse material é repassado a algum dos jornalistas que formam o círculo de proximidade. Mas alguém já disse que não existe almoço grátis. E nesse caso, o preço é a lealdade.

O Ibope está garantido. Mas é preciso que a denúncia seja publicada da forma que foi entregue, caso contrário, será exilado do grupo que furos jornalísticos prontos para o consumo a custo zero. Também está no contrato que além do filé, o músculo também deve ser ingerido. Para continuar recebendo notícias de impacto, o jornalista deve também publicar teses e devaneios de vez em quando. Para fortalecer as acusações.

Colocar os jornalistas para realmente investigar os fatos levantados nos processos, fazer o jornalismo que se aprende nos filmes e nas aulas, lembra Rosa, custa caro.

Se a cobertura da “lava jato” custasse R$ 5 milhões por dia, ela não seria feita.

A visão de Mário Rosa vem dos três lados do balcão. Já foi repórter, é consultor de crises e foi alvo de investigações. Com sua experiência junto às engrenagens da imprensa, Mario Rosa ajuda empresários e políticos a navegarem no tumultuoso mar do escracho público. De Léo Pinheiro a Ricardo Teixeira, de Fernando Henrique Cardoso a Lula, passando por Paulo Coelho. Recorre ao consultor quem vê sua imagem ser atacada publicamente.

Em junho de 2016, a visão de Mario Rosa sobre seu próprio trabalho mudou. Ele acordou com a Polícia Federal batendo na sua porta. Busca e apreensão. Era investigado por ter um contrato com a empresa de Carolina Oliveira, mulher do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. O chefe do Executivo mineiro é investigado na operação apelidada de acrônimo.

Não parou aí. A PF fez busca e apreensão em mais de dez empresas com as quais Rosa tinha contrato. Seu nome apareceu no noticiário. O casamento acabou e muitos negócios foram perdidos.

A tentativa de cura veio pela escrita. Rosa lançou recentemente o livro Entre a Glória e a Vergonha, no qual conta seus 25 anos como consultor das pessoas mais poderosas do país, no momento em que estão mais fragilizadas.

Em visita à redação da ConJur, logo antes do suicídio do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o jornalista comentou os efeitos deletérios da escalada do punitivismo no noticiário nacional.

ConJur – Neste momento, o senhor acredita que seja possível algum veículo grande atuar criticamente com distanciamento em relação ao fenômeno dos escândalos políticos nos noticiários?

Mario Rosa – A questão é que se trata de um monopólio. Tivemos a crise do petróleo duas vezes, nos anos 1970 e nos anos 1980, e quem é que podia atuar criticamente contra a OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo]? Se você era dependente do petróleo, você tinha que aceitar o preço da OPEP. Hoje em dia, falando de informação, a OPEP é o Estado brasileiro. É a instância que detém o monopólio das informações e controla o fluxo de como elas são liberadas e a questão da exclusividade. Alguns veículos com menor relevância no cenário global das comunicações podem se dar ao luxo de remar contra a maré, mas a grande mídia não consegue ficar de fora. Ela tem que entrar nesse jogo e isso significa se submeter à essa regra de disputar a exclusividade de informações de furos, de nomes, da nova acusação, do novo vídeo, do novo áudio, do novo papel — essa gincana é interminável. O monopólio impõe as regras, essa é a característica dos monopólios. E hoje nós temos um monopólio de informações por parte do Estado brasileiro, e uma imprensa dependente. Qual o resultado disso? Uma imprensa que não pode fazer outra coisa a não ser aceitar as regras.

LEIA A ENTREVISTA COMPLETA NO SITE DO CONJUR, CLIQUE AQUI

sábado, 14 de outubro de 2017

Cheerleaders aderem à onda de protestos do futebol americano contra o racismo e neonazistas

Cheerleaders se ajoelham no Howard University's Greene Stadium 
durante execução do hino americano. Desde o ano passado atletas repetem o gesto em protesto
contra assassinatos de jovens negros por policiais brancos e o aumento do racismo nos Estados Unidos.
Imagem reproduzida do NYT

Lembra do colar de feijão da Namaria Braga? Internautas querem que ela pendure agora um botijão no pescoço para protestar contra o aumento do gás....



por O.V.Pochê

As redes sociais estão curiosas. A apresentadora Ana Maria Braga revelou seu lado de ativista e "passionária" na época de Dilma. Ela usou um revolucionário colar de feijão para protestar contra o preço do produto.

Namaria estava certíssima, democracia é botar a boca no mundo.

Tanto que as redes sociais estão aguardando novas manifestações de indignação na  bancada do "Mais Você", agora nessa doida era Temer.

O botijão de gás, como diz o post acima, subiu. E aí?

São muitas as sugestões pra Namaria pendurar.
- A gasolina subiu. Ela pode usar como acessório um galão do posto Ipiranga.
- Conta de luz disparou. Um colar de medidor de luz pega bem.
- Frutas estão bem caras. É a hora da melancia no pescoço.
- Passagens aéreas em alta. Namaria pode fazer um colar de mochilas, cartões de embarque e barras de cereal.
- A batata Cupido Lavada subiu 20%. Dá pra fazer um colar e uma tiara de protesto.

A não ser que Namaria não queira "xatiar' o Temer, que o homem já tem muitos problemas com gravações, malas de dinheiro e é assombrado por caguetas a todo momento.

Memórias da redação: O da esquerda é Tarlis Batista, o repórter das missões impossíveis. O da direita não sabemos quem é....

Em janeiro de1980, quando Sinatra veio ao Rio, o repórter
Tarlis Batista, da Manchete, ganhou a simpatia do cantor,
que não era figura fácil para jornalistas. Em função disso,
a equipe da Manchete, com o próprio Tarlis e os fotógrafos Frederico Mendes 

Paulo Scheunsthul, foi recebida no camarim, com exclusividade, após o histórico
 show do Maracanã. Tarlis acompanhou Sinatra em vários outros momentos durante a 
temporada carioca e fez matérias exclusivas no hotel que hospedou o americano 
e seu staff. Carlos Heitor Cony já escreveu sobre o Tarlis, que o impressionava pela ousadia 
e determinação de faz-tudo. "Já o vira em condições e situações mais transcendentes. 
Conhecia todo mundo em todos os lugares, diziam que comera a atriz Bo Derek e que 
Julio Iglesias só fazia o que ele mandava". O bom papo do Tarlis para abrir portas (às vezes, pé na porta, mas quem nunca?), como no caso do camarim do Sinatra, também foi citado por Cony em texto na Folha de São Paulo: 
"Tenho absoluta certeza de que um dos seus crachás, pendurado sempre no pescoço, dava-lhe o direito de entrar fulminantemente no reino dos céus. Deve está se fartando com as 11 mil virgens..." 





REPRODUÇÃO MANCHETE, CLIQUE NA IMAGEM PARA PARA AMPLIAR

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

É 171! Continua a polêmica da capa falsa...



Há três meses, a Time pediu ao grupo Trump para retirar das paredes uma capa falsa da Time, com data de 1° de março de 2009, emoldurada em clubes de golfe, que mostra Donald Trump e uma chamada que diz algo como "Trump arrebentando em todas as frentes, até na TV".

A capa falsa em exibição.
Reprodução Facebook
O pedido da Time foi encaminhado em junho de 2017 depois que um repórter do Washington Post viu a falsa capa estampada em um dos resorts do agora presidente dos Estados Unidos. Até a data de capa que a reprodução emoldurada exibe é falsa: nunca houve edição lançada naquele dia.

Trump chegou a comemorar essa capa em redes sociais: "Wow, minha primeira capa da Time. Pedi ao meu staff para emoldurar e exibir nos meus escritórios".

A única capa verdadeira
de Trump na Time, antes de o
empresário entrar para
a política, é essa que o mostra
como rei dos cassinos.
Um porta-voz da Casa Branca se negou a comentar o assunto ou informar se Trump sabia que a capa exposta nos seus clubes é falsa.

Por sua vez, o presidente teria dito que foi capa da Time duas vezes antes de entrar para a política.

Também é falsa essa informação: antes da corrida presidencial, ele foi capa de verdade apenas uma vez, em 16 janeiro de 1989, como o rei dos cassinos.

Não há confirmação da retirada da capa 171 das paredes dos clubes de golfe do empresário-presidente.



Penélope Cruz na capa da Esquire




Penélope Cruz 42 anos, é capa da Esquire desse mês. A atriz espanhola 
foi fotografada por Mart Alas e Marcus Piggot.

Prêmio Vladimir Herzog reconhece o jornalismo das novas mídias

No Brasil, os prêmios mais tradicionais de jornalismo permanecem praticamente ignorando as novas mídias e privilegiando jornalões. O 39º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos anunciou seus vencedores, em São Paulo, e mostrou que metade dos premiados é de veículos digitais.

Confira a lista de vencedores:

Arte
Vencedor: Massacre do Carandiru, de Simanca, para o jornal A Tarde
Menção Honrosa: Ricardo Silva, executado pela PM, de Bruno Nobru, Ciro Barros e Julio Falas, para a Agência Pública

Fotografia
Vencedor: foto de abertura da reportagem Tiroteios, mortes e invasões dominam o Complexo do Alemão, de Fábio Teixeira, para a Vice
Menção Honrosa: foto de abertura da reportagem Prefeitura retira sem-teto de viaduto em SP, de Nelson Antoine, para o Portal da Band

Áudio
Vencedor: Moradores do Moinho falam em rotina de repressão da PM, um mês após morte de jovem, de Claudia Rocha, para a Ponte Jornalismo
Menções Honrosas: Histórias invisíveis, de Gabriel Jacobsen e Daiane Vivatti, para a Rádio Guaíba; e Dar à luz a dor, de Hebert Araújo, para a rádio CBN João Pessoa

Multimídia
Vencedor: Sozinhas: histórias de mulheres que sofrem violência no campo, de Ângela Bastos, Aline Fialho, Chico Duarte, Felipe Carneiro, Julia Pitthan, Maiara Santos e Ricardo Wolffenbüttel, para o Diário Catarinense
Menção Honrosa: Mapa da homofobia em SP, de Thiago Reis, Alexandre Nascimento, Alexandre Mauro, Beatriz Souza, Fabíola Glenia, Glauco Araújo, Igor Estrella, Kleber Tomaz, Marcelo Brandt, Mariana Mendicelli, Rodrigo Cunha, Rogério Banquieri, Sávio Ladeira e Wagner Santos, para o G1 São Paulo

Texto
Vencedor: Especial Quilombolas, de Patrick Camporez Mação, Luísa Torre e Marcelo Prest, para a Agência Pública
Menções Honrosas: Brasília Confidencial, de Adriana Bernardes e Renato Alves, para o Correio Braziliense; e Cerco aos isolados, de André Borges e Werther Santana, para o Estadão.

Vídeo
Vencedor: Quem sou eu?, de Bruno Della Latta, Cláudio Guterres, Nunuca Vieira e Renata Ceribelli, da TV Globo
Menção Honrosa: O inferno de Lidiany, de Gabriela Pimentel, Domingos Meirelles, Heleine Heringer e Natália Fiorentino, para a TV Record – São Paulo/SP.

Na capa da Time, o predador sexual de Hollywood...

por Ed Sá 
A polêmica que envolve o mega produtor de Hollywood Harvey Weinstein, 65, é capa da Time dessa semana.

A rumorosa sequência de "testes do sofá" forçados que se concretizaram ou ameaçaram atrizes ao longo de anos é teme que domina a imprensa e os meios digitais americanos.

Um incêndio midiático que supera até o fogo destruidor em curso na Califórnia.

Tanto o sofá quanto o silêncio guardado em torno desse tipo de assédio em Hollywood, e em todos os lugares, são uma tradição machista. Titãs de Hollywood, como Howard Hughes, Darryl F. Zanuck, Alfred Hitchcock etc já foram acusados de obter benefícios sexuais em troca de papeis em filmes ou, em sentido oposto, de ameaçar carreiras de estrelas caso não se submetessem aos seus vestibulares de sacanagens. A novidade é que, de uns tempos para cá, o silêncio virou barulho. Mas é surpreendente que o cala-boca tenha protegido Weinstein por décadas. Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Cara Delevigne, Rose McGowan, Ashley Judd, Rosana Arquette, Heather Graham, Mira Sorvino, Jennifer Lawrence... é longa a lista e envolve estrelas da várias gerações. Gwyneth Paltrow, hoje com 45 anos, foi assediada aos 17 anos. Kate Beckinsale, 44, também era adolescente quando foi atacada pelo produtor. Cara Delevigne e Jennifer Lawrence são da nova geração de Hollywood e já entraram na mira telescópica de Weinstein. As acusações vão de cantadas insistentes a pedidos de massagem, exibicionismo, bolinação, sexo oral e estupro.

Ashley Judd revelou há dois anos, em entrevista à revista Variety, que Weinstein  a assediou nos anos 90. Curiosamente, essa primeira denúncia não se propagou.  Agora, depois que  New Yorker publicou  há três dias acusação feita pela atriz italiana Asia Argento, dezenas de atrizes tornaram públicas suas experiências com o produtor. Ele nega ter forçado situações, diz que foi sexo consentido e alega que não sabe se aproximar de mulheres de "outro jeito". O site TMZ revelou que constava no contrato de trabalho do produtor uma cláusula inusitada que lhe dava uma certa imunidade para praticar assédio sexual. Segundo a norma, ele não poderia ser demitido em função de acusações do tipo desde que pagasse uma indenização para a vítima, caso fosse considerado culpado.
Mesmo assim. Harvey Weinstein, que a Time chama de "predador", foi demitido.

ATUALIZAÇÃO EM 14/10/2017 - Segundo o Huffpost Brasil, o repórter freelancer Ronan Farrow ofereceu a  matéria sobre a prática em cascata de assédio sexual por parte de Harvey Weinstein à NBC News. Executivos da emissora boicotaram a reportagem. Farrow, então, levou o assunto à New Yorker, que detonou a bomba.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Quando caráter não é commoditie. Jornalista demitido pela Jovem Pan revela no Face o "jornalismo" de "abafa" da emissora


Noite de horror no STF. Foi punk

por Flávio Sépia 
O STF comemorou ontem, antecipadamente, o Halloween. Foi terror na veia dos brasileiros que se ligaram na Globo News ou na TV Justiça. Os ministros passaram o dia discutindo se o tribunal poderia punir parlamentares sem consultar o Congresso. Em tese, debatiam a Constituição. Na prática, o voto seria contra ou a favor de Aécio Neves, atualmente investigado por corrupção.

A disputa acabou em 5X5 e coube à presidente do STF desempatar. Visivelmente hesitante, Carmen Lúcia embolou o meio de campo, deu a entender que não captou a essência dos votos lidos, foi salva por uma redação de Celso de Mello e, no fim, deu jogou o destino de Aécio nas mãos dos seus pares do Congresso.

O Globo, por exemplo, dedica uma página à votação de ontem, mas a matéria asséptica, acrítica, em tom oficialesco, não consegue passar quase nada do que o STF viveu.

Acredite, foi punk.

Com a votação transmitida ao vivo (ainda bem), milhares de brasileiros assistiram ao bizarro reality show da dona Lei. Se Aécio venceu ou não, o STF, em sua confusa e seletiva decisão, foi o grande perdedor.

Melhor curtir o feriado e ver um pouco das reações dos internautas nas redes sociais. São mais divertidas e verdadeiras.